sábado, 11 de dezembro de 2010

A propósito do voicemail

Há dias li um artigo  cujo tema era : " Se é utilizador do Facebook e está num relacionamento tenha cuidado, pois é provável que acabe até ao Natal".
Se  Fiquei espantada com esta afirmação? A resposta é bem evidente, obviamente que NÃO!
Em "condições normais" ficaria admirada  com a insolência do autor, David McCandless, escritor e designer gráfico, Como pode ele julgar as relações de desconhecidos tendo como base uma rede social?
No entanto sendo eu utilizadora assídua desta rede social não me oponho. Porquê? Exactamente porque sou utilizadora assídua, assiduíssima do facebook.

Tentando não ferir susceptibilidades (inclusive a minha) dou razão a este senhor, e dou-a com imenso desagrado. Esta  frase é apenas um espelho , cuja imagem é real e a ampliação é nula. De todo que não é um exagero, é uma verdade que podemos confirmá-la em imensos perfis do facebook.
Ainda há poucos dias reparei que várias pessoas tinham no seu perfil um questionário com o título : "100 verdades sobre ti". Este questionário abordava vários temas, como gostos pessoais, amizades, banalidades e intimidades. Pois bem, este ultimo tópico é  que é louvável de alguns aplausos, porque realmente é um show, É um extravasar de limites, É o cúmulo da exposição, É uma mistura de um "Big Brother" com uma revista "Maria" , com uma pequena diferença, o lucro não tem valor algum.
Quanto vale a nossa privacidade?
Será do nosso  interesse sabermos se a "XX" alguma vez engravidou? Quantos abortos já fez nos curtos anos da sua  vida ?  Se o "XY" andou a "comer" duas  ao mesmo tempo? Se as perguntas por si só são insólitas, o que dizer das suas respostas.
Sim! Há quem perca o seu tempo a pensar no nosso entretenimento, e  nós agradecemos, porque afinal  passamos momentos muito engraçados a ler  estes diários digitais, primeiro porque nos são incutidos nas actualizações do facebook, depois porque tem imensa piada saber sobre a vida alheia, isto é um facto que normalmente nos é comum, principalmente às meninas.
Ver tanta informação privada publicada só seria admissível se cada pessoa tivesse meia dúzia de amigos no facebook ( e seis já é um  numero folgado) ,o que não acontece. Será que têm noção que uma parte de si está a ser divulgada e absorvida por desconhecidos, amigos de amigos, colegas da faculdade, colegas de emprego, futuros patrões, …? No caso dos miúdos ainda se percebe a ingenuidade e infantilidade com que manuseiam esta arma e cabe aos seus pais alertar para este espectáculo, mas no caso de pré-adultos admite-se?
Não me cabe a mim aceitar a conduta da XX nem do XY, porque como diz Sócrates "Aquilo que não puderes controlar, não ordenes".  Mas o facebook , principalmente daqueles que todos os dias fazem questão de o usar, é a personificação do que cada um é, e como tal é nossa obrigação aceitar juízos de valor que possam ser feitos sobre os mesmos. Se a XX e o XY fazem das redes sociais um diário aberto, têem de ter também essa  abertura para perceberem que são alvos de estudos como o de David McCandless, e de textos como este (feitos por alguém que usa o facebook todos os dias que pode , e que   prezando  o respeito pela sua privacidade, tenta não ter deslizes que a comprometam), e é inconcebível quando alegam que são alvo de injúrias ou difamação.






sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A explicação de Austin


Mr Deluxe franziu a testa « Amo-te baby ?» perguntou. «Pois bem, também não sei. Mas repare caro Deluxe, para além da palavra baby soar a pouco romantismo (do clássico digamos) o seu uso comum, numeroso e diverso torna-a incogruente.» «Hãn?» fez Mister Deluxe. « Quem pratica tal incogruência de palavras não sabe o porquê de  falar sobre amor, não sabe para quem falar de amor. » disse Austin apagando o cigarro no cinzeiro.





Diálogo re-inventado de "O que diz Molero" sobre as palavras do verbo amar.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Frames de uma despedida


A manga do seu casaco está ensopada. Os olhos já não choram, o tecido é bom. Foi estátua por segundos. Mas ele  não esperou, e foi-se  embora.
Adeus, disse ela, vendo-o partir.

Mochila às costas

Não existem companheiros de uma vida, mas sim acompanhantes.

domingo, 3 de outubro de 2010

Contradizer é irmão do contrafazer

Shiuuuuuuuu!Não gosto de contradições.

 

Breves Frames da perda de Jim

Tinham uma casa de vidro  que desenharam propositadamente para uma vida a dois, a vida deles. Tinham dois cockers malhados, um macho e uma fêmea. Tinham rotinas que espelhavam uma vida de casal perfeita. Tinham paixão quando se olhavam mutuamente, e sorriam com tanta conivência .
 Não foi o telefonema que mudou a vida de George, não podia culpar aquele repetitivo  toque  estrepitoso  pela sua angústia. De repente um sentimento tenebroso invade-lhe a alma  ( que alma tem ele agora ? o seu corpo é uma massa de ar ofegante, sente). Perdeu o seu companheiro, o seu menino homem com quem vivera 16 anos.
A casa de vidro era agora baça . O vinil que ambos ouviam nas horas de leitura aninhados  um no outro já não tinha a mesma sonoridade, George  já não tinha  o sorriso de Jim que todas as manhãs findava com o seu despertar mal humorado.
Deseja-se-lhe a velha rotina, a velha música, o velho brio da casa de vidro.
Tão só George , com o auscultador do telefone verde, chora. Não  perdeu só o Jim naquele acidente (conseguia imaginá-lo de uma forma tão presencial) , perdeu-se a si.
Consegue sentir cada batida do seu músculo vital ( o de Jim já não bate mais), o suor inunda as suas mãos , o  estômago é um laço que lhe  serve de enfeite  fúnebre …pálido, pousa o auscultador.
O amor que sentira por aquele homem não sentirá mais. O corpo que o sol todas as manhãs aquecia ao passar a casa de vidro, naquela cama, não terá mais, as leituras aninhadas não o aconchegarão mais. Era tão fácil amá-lo, e desamá-lo quão difícil será ( nunca irá deixar de amar o seu homem, prometeram-se um ao outro)  Jim oh Jim - grita! exclama! desespera! foge! volta a si.
Cansado pela dor deixa Jim por segundos.
E os cães? O que aconteceu aos cães?


A minha criação do início do romance "A single man" de Tom Ford.

Hoje sou mulher




Quando um coração é música

Quem não se sente feliz quando ouve uma música dedicada ao seu nome? E quem  não se lamenta com o facto do seu nome ainda não ter sido digno de uns acordes ( que já agora não precisam de ser fantásticos)?
Oh como eu gostava que os Beatles tivessem conhecido uma Marta em vez de uma Michelle!!
Mas não guardo rancor destes meninos intemporais  com sotaque inglês. Sabem porquê?
Porque Há sempre um coração que toca por nós! Temos de saber ouvi-lo. Este tipo de música é diferente. Não existem notas , nem claves, muito menos pauta musical. Não se ouve com uns fones,  e nem pensem em auscultar o coração de outrém para ver que sinfonia  toca. Não façam analogias com o "Música no coração" Não não!  Estes acordes não são dedicados apenas ao nosso nome, melhor! São dedicados ao que  somos, à importância que temos na vida de alguém. São só para nós. Chama-se amor, ser amado, que bela música!

A história de um dia de chuva



A chuva é sempre um motivo de inspiração. Quando combinada com o amor o resultado é incrivelmente romântico.


Dois  olhares nublados pela chuva
Um sorriso  tímido molhado pela chuva
Um beijo apaixonante à chuva.
Um abraço aconchegante debaixo de um guarda-chuva
Uma taça de vinho tomada num dia de chuva
Dois corpos que se tocam num dia de chuva

A história de um amor que começou num molhado dia de chuva.

Tu és

Não sonhes em ser alguém. Tu hoje és alguém.  Mas amanhã poderás ser tudo.

Partes

Do imenso o infinito. Do pouco metade. Do último  o ínfimo . Perdeu-se na substancialidade do seu  corpo. Procura por ele e só encontra parte do seu  amor. Parte da amizade. Parte da cumplicidade. Questiona-se se haverá alguma lógica  em pensar nas partes que os constituem, o que significa. Sorri. Abraça-o, encosta-se no seu peito e deixa que os seus membros se encaixem perfeitamente um no outro. É parte dele, por vezes só o tem por metade, mas mesmo assim, é parte dele, e é feliz.